quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A ladra das leggins enfiadas no cú

Podia ser o título de um filme porn de vão de escada. Daqueles muita mal filmados e em que os actores não têm um guarda roupa que possa eventualmente ser nomeado para os Óscares nessa dita categoria. Ou em qualquer outra, na verdade.
E o argumento é qualquer coisa como o que se segue: Na loja onde trabalho há câmaras de filmar em todos os cantos. E dizer literalmente é bastante vulgar mas é a realidade. Mas não temos alarmes em tudo. Não sei porquê sinceramente. Nos dias que correm acho que até as cartelas dos preços deviam ter alarme. As pessoas levam tudo só porque podem.
Há clientes que se borram todos só por se chegar perto dos alarmes da saída, há pessoas que saem da loja com as coisas na mão e só se apercebem quando já estão do outro lado.
Há miúdos que saem disparados com as coisas postas e os pais nem dão conta e devolvem-nas todos aflitos perante o olhar do pequeno delinquente em ascensão.
E depois há os profissionais do crime. Que sabem que os sacos do supermercado para os congelados, revestidos a alumínio são óptimos para levar lotes completos de casacos de pele da Pepe Jeans ou da Salsa.
Que ao partir alarmes costurados dentro da roupa da Zara, também tem o mesmo efeito.
Há os que andam sempre com um corta unhas atrás para se livrarem dos cartões com bandas magnéticas. Há os que escondem dentro da roupa interior, nas lojas onde sabem que não há segurança privada, pois não podem ser revistados e escolhem horas de maior movimento porque sabem que os funcionários preferem perder um artigo ou outro, do que 10 clientes na fila à espera para pagar.
Em cinco anos de trabalho num centro comercial já vi muita coisa. E não é fora do normal ver logistas mais destemidos a correr atrás de clientes "roubantes" pelo centro comercial fora. Porque na realidade os seguranças pouco podem fazer sem provas concretas.
De x em x tempo somos alertados para vigaristas que se lembram de correr vários centros comerciais com uma certa distância geográfica entre si.
Caros amigos, os lojistas unidos jamais serão vencidos.
Nós comunicamos! E sabemos as descrições físicas detalhadas e como actuam.
Hoje na pacatez do meu trabalho com a minha colega entra-nos o chefe da segurança e uma segurança do centro comercial pela loja a pedir para ver as nossas filmagens.
Mau sinal.
Recuemos ao dia anterior.
Estava eu quase a sair do trabalho quando entra uma cliente que me chama a atenção.
Loira, com cara de poucos amigos, de camisa às riscas e umas leggins de cabedal... enfiadas pelo cú adentro. Ora perante este espectáculo eu não conseguia parar de olhar para outra coisa e fui chamar as minhas colegas todas para ver o mesmo que eu estava a ver. Ainda fui abordar a senhora que não era dada a palavras. Andou sozinha pela loja uma data de tempo até que sem mais, se dirige a caixa a dizer com muito maus modos que queria "ali uma mala". Sem um obrigado ou boa tarde.
Depois de gozarmos o suficiente com a Glória (alusão à hipopótama do Madagáscar) e das colegas da manhã terem partilhado a visão do Inferno,com as colegas da noite, a coisa passou-se.
Voltemos novamente ao dia de hoje.
Uma hora e meia após a abertura da loja. Meia dúzia de vendas feitas. Olho em frente e vejo a surgir no horizonte umas leggins! A Glória tinha voltado!. O mesmo estilo do dia anterior, a mesma antipatia. Pergunto-lhe numa de tentar fazer conversa se vem ver mais prendas de Natal, a tentar mostrar que me lembrava perfeitamente dela. Faço sinal a minha colega que não percebeu o que eu tentei dizer. E fiquei com a imagem das novas leggins só para mim.

Lembram-se do segurança? nem meia hora depois da Glória sair estavam na nossa loja a ver filmagens dela a enfiar tudo o que podia e não podia dentro da sua mala.
Já tinha feito uma visita à Kiko, a Zara, a Stradivarius, à Biju Briggite e sabe Deus a onde mais.
Foi apanhada a entrar para o carro, tentou abalroar a mota do segurança e tinha o banco traseiro cheio de sacos com artigos de quase todas as lojas. Pediram-lhe que abrisse a mala e estavam lá  três artigos nossos. Os que custavam 1€. Jurou a pés juntos que tinha pago mas tinha deitado fora o talão. Na loja tínhamos a certeza mas melhor que isso tínhamos o sistema e uma data de câmaras a vê-la a por tudo dentro da mala. Nenhuma loja chamou a polícia, e nenhuma loja recuperou tudo o que perdeu. Todas nós tínhamos prestado atenção à cliente. Todas nós nos lembrávamos dela. Todas nós achamos estranho andar tanto tempo por ali sem fazer perguntas ou levar nada. Todas nós fixamos a porcaria das leggins enfiadas no cú. Ninguém deu conta de coisas roubadas a menos de  dois centímetros da nossa cara.

Ninguém me tira da cabeça que as leggins foram criadas como a nova arma de atordoar.
Um taser ainda mais moderno e indolor.

ps: Agora prendam-me porque revelei "segredos" que só se sabem nos círculos da ladroagem.

Sem comentários:

Enviar um comentário