No Sábado passado recebi uma mensagem da minha mãe: " a avó A. caiu no conto do vigário".
A minha reacção foi qualquer coisa do género entre a raiva e conformismo. A minha avó dá conversa a toda a gente que lhe toque à porta, a toda a gente que a aborde na rua, porque ela é mesmo assim. Simpatia a transbordar numa pessoa. Avisos não lhe faltam diariamente desde que os meus tios saíram de casa. Ambas as minhas avós são alertadas todos os dias, não só pelas noticias como por nós. A outra é mais maricas e menos simpática, tranca-se o dia todo quando está em casa, o que é raro, e nem a nós abre a porta. Ou atende o telefone. Mas ainda assim a probabilidade de qualquer um de nós lá cair é grande.
Há uns anos na loja onde trabalhava e ainda hoje, sem saber bem como, fui enganada por uma mulher que levava com ela o filho de 8 anos. O miúdo escolheu um artigo que custava menos de 5€ e a mãe pagou-me com uma nota de 100€. Em menos de 5 minutos a mulher com troco para cá, troco para lá, levou-me 50€ da caixa e nem me dei conta. Sozinhos os 3 na loja ainda lhe disse "volte sempre". Senti-me estúpida e tive de pôr do meu bolso o dinheiro, soube mais tarde que nesse mesmo dia mais três lojas foram enganadas pela mesma mulher.
Apartes à parte, se tudo aconteceu de forma premeditada ou não, não sabemos dizer. A minha avó de 74 anos, fuma que nem uma chaminé e vive no 3º andar. Normalmente vai a varanda fumar e apanhar fresco e ver as vistas e fazer o que lhe apetecer porque está em casa. Nesse dia às 14.30h da tarde passa um carro preto, segundo ela topo de gama, do qual lhe acena uma pessoa. Sempre com o carro em andamento e apesar de nao o ter reconhecido acenou de volta, achando que não estava a reconhecer por causa da distância. O carro pára e estaciona e ainda cá debaixo começam a conversa. Dizem olá, perguntam se está tudo bem e começam a subir as escadas. A minha avó ao aperceber-se abre a porta de casa para espreitar e perguntar quem é. Ao ver o casal de cerca de 40 anos frente a frente diz que não os conhece e eles muito rapidamente a cumprimentam e enfiam-se dentro de casa.
Continuam a conversa da chacha e a minha avó sempre desconfiada começa a perguntar quem são. Eles antes de dizerem o que quer que seja perguntam pelo meu avó se está bom. Ora o meu avó já faleceu há mais de 10 anos e perante esta informação que não esperavam saem-se com um " aiii era tão boa pessoa". A minha avó ponderou começar a descartar-se deles quando eles sempre muito rapidamente mudam de assunto e perguntam pelos filhos. A minha avó diz que o meu tio tinha acabado de sair dali naquele momento, e como falou no plural eles aproveitaram para perguntar pelos outros. A minha avó achando que de facto eram conhecidos de algum dos meus tios ou até do meu pai, fala no meu tio que vive mais longe. Erro crasso. Se tivesse mencionado qualquer outro dos três teriam sido apanhados no momento. A mulher pergunta então se a minha avó se dá bem com a nora e ela pergunta "quem? com a S.?". Neste momento já havia um nome para ter uma relação. A mulher não perde tempo e diz que sim que está a falar da minha tia S. que acabou de vir da casa dela e que são primos que vivem em França há 30 anos. Estão a construir uma ourivesaria e andam a recolher ouro para a abrir. Aqui a história ainda ficou mais rebuscada e a minha avó sempre de pé atrás pergunta então o que eles querem dela. Ao que respondem que o filho lhes tinham dito que ela tinha muito ouro em casa. A minha avó riu-se. Para além de isso ser um perfeito disparate, pois vive com algumas dificuldades, se o tivesse já o tinha vendido, o meu tio jamais saberia isso. Depois de tanta insistência a minha avó, enervada dirige-se ao quarto e mostra que a única coisa que tem é bijuteria falsa dentro de um guarda jóias e uns brincos e uma pulseira de ouro da mãe. Ofrecem-lhe um anel de latão a dizer que era um presente da ourivesaria que iam abrir.
Então o homem pede para ir a casa de banho e a mulher pede para ir beber um copo de água à cozinha. Quando regressam a sala a minha avó apanha o homem a sair do quarto, pelo menos foi o que lhe pareceu. Mas achou que aquilo não lhe estava a acontecer. Despedem-se dela sempre com uma grande festa e ainda ao entrar no carro, acenam-lhe e despedem-se mais uma vez.
A minha avó que tinha ponderado sair de casa e trancá-los lá dentro não o fez. E ainda bem porque eles tendo maior destreza poderiam ter-lhe feito muito mal.
Ligou á minha tia. A resposta gelou-a. Não tinha estado ninguém com a minha tia, o meu tio estava no trabalho desde as 7h da manhã e ela muito menos tinha primos em França. Pediu-lhe que ligasse à GNR e num instante foi ao quarto. O guarda jóias desaparecera.
Num pranto e com problemas de coração, ligou para todos que a pudessem ajudar. A PJ disse que o copo onde a mulher bebeu água foi completamente limpo, nem as impressões digitais da minha avó lá estavam. O papel que o homem usou para limpar o suor estava bastante empapado mas o dinheiro que iriam gastar para retirar ADN, a minha avó não poderia pagar nem em 2 vidas.
Entram-nos em casa, levam-nos tudo e ainda gozam com a nossa cara.
Protejam-se.
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