sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eu bem digo que passei ao lado de uma grande carreira

Sempre quis ser médica.
Cá em casa desde que me lembro que sou eu que faço os curativos a todas as feridas.
A minha mãe não pode ver sangue que começa-lhe a embrulhar o estômago e a faltar a força nas pernas.
O meu irmão andou esburacado praticamente toda a vida e era eu que lhe tratava dos buracos nas pernas e nos braços. Malvado skate. Malvado chão e pedras bicudas.
O meu pai foi operado à coluna. Uma hérnia malvada numa zona das costas onde não dava jeito mudar o penso sozinho. Nem dar injecções.
Há uns anos de repente os meus gânglios acharam por bem dar sinais de vida. Um na virilha tornou-se um caso bicudo. Agarrei numa tesoura e rebentei-o. Explodiu menos do que pensava. Mau sinal. Estava tudo espalhado pela coxa, internamente. Infecção jeitosa e cirurgia com direito a cicatriz de 10cm na marca do biquíni.  Foi a primeira vez que me fez confusão ver uma ferida. Não levei pontos e o penso era mudado de dois em dois dias. Não há enfermeiro no concelho que não me tenha visto o pipi.  Mas ver um buraco que não era suposto estar ali e tão profundo, mexe com a zona do estômago.
Hoje acordei com um gânglio na orelha que resolveu inflamar. Doí porra, tentei rebentar a bem e ele não cedeu. Espetei-lhe um alfinete e foi uma explosão de cor e nhanha que coloriu o espelho da casa de banho com as mais diversas tonalidades de pus.
Estava preparada para morrer de dores mas na verdade, ver aquilo a atravessar-me a orelha não me fez ter qualquer reacção estomacal por ai além.
Desinfectei logo não se preocupem, mas de certeza que deve haver alguma probabilidade de isto gangrenar e cair-me a qualquer instante.

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