Sempre quis ser médica.
Cá em casa desde que me lembro que sou eu que faço os curativos a todas as feridas.
A minha mãe não pode ver sangue que começa-lhe a embrulhar o estômago e a faltar a força nas pernas.
O meu irmão andou esburacado praticamente toda a vida e era eu que lhe tratava dos buracos nas pernas e nos braços. Malvado skate. Malvado chão e pedras bicudas.
O meu pai foi operado à coluna. Uma hérnia malvada numa zona das costas onde não dava jeito mudar o penso sozinho. Nem dar injecções.
Há uns anos de repente os meus gânglios acharam por bem dar sinais de vida. Um na virilha tornou-se um caso bicudo. Agarrei numa tesoura e rebentei-o. Explodiu menos do que pensava. Mau sinal. Estava tudo espalhado pela coxa, internamente. Infecção jeitosa e cirurgia com direito a cicatriz de 10cm na marca do biquíni. Foi a primeira vez que me fez confusão ver uma ferida. Não levei pontos e o penso era mudado de dois em dois dias. Não há enfermeiro no concelho que não me tenha visto o pipi. Mas ver um buraco que não era suposto estar ali e tão profundo, mexe com a zona do estômago.
Hoje acordei com um gânglio na orelha que resolveu inflamar. Doí porra, tentei rebentar a bem e ele não cedeu. Espetei-lhe um alfinete e foi uma explosão de cor e nhanha que coloriu o espelho da casa de banho com as mais diversas tonalidades de pus.
Estava preparada para morrer de dores mas na verdade, ver aquilo a atravessar-me a orelha não me fez ter qualquer reacção estomacal por ai além.
Desinfectei logo não se preocupem, mas de certeza que deve haver alguma probabilidade de isto gangrenar e cair-me a qualquer instante.
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